O chapéu dos mestres

O Ritual do Rito Escocês Antigo e Aceito – REAA, em seu item 1.2 estabelece que:

“O uso do chapéu preto desabado, que tradicionalmente faz parte do traje do Mestre Maçom no REAA, hoje tem seu uso, a critério do Venerável Mestre, estabelecido para as Sessões Magnas de Exaltação das Lojas que puderem tê-los em número suficiente para todos os Mestres presentes. Nas demãos sessões não mais está previsto o uso do chapéu.”

                Na Maçonaria Adonhiramita, já o Ritual do 1º Grau, em seu item 1.9 estabelece que:

“Todos os Mestres usam chapéu preto, espada e o avental de Mestre Maçom ou de Mestre Instalado, de acordo com a sua qualidade.”

                O Ritual de Mestre, seguindo o mesmo princípio, assim dispõe:

“O traje do Rito é o terno preto liso, chapéu, sapatos, gravata, cinto e meias também pretos.”

                Há quem defenda que o costume vide desde as cortes europeias e, à época, era perceptível na realização das cerimônias que se faziam presentes hierárquicos inferiores, e o Rei, como sinal de sua superioridade em padrão de autoridade na corte, permanecia com a cabeça coberta enquanto que os cortesão tiravam o chapéu.

                Outra corrente afirma que a prática foi herdada dos judeus ortodoxos. Segundo a concordância de opiniões dos principais estudiosos em cronologia bíblica, aproximadamente, provém do século XX a.C., e que Abraão foi seu fundador. Tradicionalmente, os judeus usam a quipá ou um chapéu o tempo todo. A cobertura da cabeça é como um símbolo que evidencia o vínculo com o Judaísmo, tal como a aliança é para o casamento. O quipá é a maneira enérgica e visível, masculina, da prática religiosa em menção e que o judeu sente a necessidade de demonstrar.

                Ao abrigo da justificativa de que a sabedoria e a inteligência são dons que alcançam o sentido de se fazer reverências a Deus, e que a cabeça é a sua sede, não é, em tempo nenhum, inconveniente tratá-la com cuidado, ainda que, simbolicamente, pelo emprego do chapéu ele faz recordar a prática do bem que, abençoado por Deus, o homem dedicado às boas ações jamais será esquecido.

                Por fim, no sentido funcional, cumpre observar que o Mestre deve conservar a cobertura da cabeça, tal como referem os Rituais, com um chapéu negro, de abas largas, durante todo o tempo das Sessões, e só lhe é permitido ficar a descoberto quando o Venerável, em razão da ritualística, também o fizer, o que põe às claras um dos sinais de suas prerrogativas.

Trechos do capítulo III – Item O chapéu dos Mestres, do Livro Virtude e Verdade – Graus Simbólicos, do autor Luiz Fachim