O ramo da acácia

A acácia, além de ser uma árvore da família das leguminosas mimosoídas, é uma planta que representa folhagem acinzentada e flores amarelas. É muito ornamental e delicada, elegante, resistente e muito comum nas regiões tropicais e subtropicais e cujo caule e ramos muitas vezes são armados de fortes espinhos ou aguilhões. Fornece madeira de longa duração e, pelo fato de não apodrecer com a humidade, nem mesmo quando é introduzida na água, adquiriu a fama de eterna.

                A acácia do sistema místico da Maçonaria, pelo contrário, foi e é considerada uma árvore sagrada, porque, como se viu, a Moisés foi ordenado construir o Tabernáculo, a Arca da Aliança, a Mesa para o Pão das Proposições e o restante da mobília.

                Desde as antigas civilizações, nas cerimônias religiosas, conhecidas e praticadas pelos iniciados, havia o costume de expor à vista alguma planta, peculiar à respectiva coletividade, com o desígnio de devoção.

                A acácia também é símbolo da inocência, que se assinalava de modo mais aparente nos tempos remotos, quando os devotos religiosos e os dedicados às escolas de iniciação escondiam daqueles que os procuravam a religião ou o hermetismo destas, respectivamente. A acácia também tem o significado místico de representar as virtudes pessoais do bem-aventurado que vive ou viveu sob a propensão das boas ações e atuando sempre de acordo com os preceitos sociais, religiosos e a lei divina, sendo, portanto, respeitado e admirado.

                A acácia ainda é considerada o símbolo da Iniciação por conta do interesse daqueles que se dedicam ao estudo e lhe conferem concepções sob as interpretações tradicionais, e por ela ser o primordial símbolo.

                Nesse raciocínio, a doutrina Maçônica ensina que a acácia é o símbolo perfeito de uma grande verdade, a de que a vida do homem, regulada pela Moral, pela Fé e pela Justiça, será recompensada na hora da morte com a perspectiva da bem-aventurança eterna.

O chapéu dos mestres

O Ritual do Rito Escocês Antigo e Aceito – REAA, em seu item 1.2 estabelece que:

“O uso do chapéu preto desabado, que tradicionalmente faz parte do traje do Mestre Maçom no REAA, hoje tem seu uso, a critério do Venerável Mestre, estabelecido para as Sessões Magnas de Exaltação das Lojas que puderem tê-los em número suficiente para todos os Mestres presentes. Nas demãos sessões não mais está previsto o uso do chapéu.”

                Na Maçonaria Adonhiramita, já o Ritual do 1º Grau, em seu item 1.9 estabelece que:

“Todos os Mestres usam chapéu preto, espada e o avental de Mestre Maçom ou de Mestre Instalado, de acordo com a sua qualidade.”

                O Ritual de Mestre, seguindo o mesmo princípio, assim dispõe:

“O traje do Rito é o terno preto liso, chapéu, sapatos, gravata, cinto e meias também pretos.”

                Há quem defenda que o costume vide desde as cortes europeias e, à época, era perceptível na realização das cerimônias que se faziam presentes hierárquicos inferiores, e o Rei, como sinal de sua superioridade em padrão de autoridade na corte, permanecia com a cabeça coberta enquanto que os cortesão tiravam o chapéu.

                Outra corrente afirma que a prática foi herdada dos judeus ortodoxos. Segundo a concordância de opiniões dos principais estudiosos em cronologia bíblica, aproximadamente, provém do século XX a.C., e que Abraão foi seu fundador. Tradicionalmente, os judeus usam a quipá ou um chapéu o tempo todo. A cobertura da cabeça é como um símbolo que evidencia o vínculo com o Judaísmo, tal como a aliança é para o casamento. O quipá é a maneira enérgica e visível, masculina, da prática religiosa em menção e que o judeu sente a necessidade de demonstrar.

                Ao abrigo da justificativa de que a sabedoria e a inteligência são dons que alcançam o sentido de se fazer reverências a Deus, e que a cabeça é a sua sede, não é, em tempo nenhum, inconveniente tratá-la com cuidado, ainda que, simbolicamente, pelo emprego do chapéu ele faz recordar a prática do bem que, abençoado por Deus, o homem dedicado às boas ações jamais será esquecido.

                Por fim, no sentido funcional, cumpre observar que o Mestre deve conservar a cobertura da cabeça, tal como referem os Rituais, com um chapéu negro, de abas largas, durante todo o tempo das Sessões, e só lhe é permitido ficar a descoberto quando o Venerável, em razão da ritualística, também o fizer, o que põe às claras um dos sinais de suas prerrogativas.

Trechos do capítulo III – Item O chapéu dos Mestres, do Livro Virtude e Verdade – Graus Simbólicos, do autor Luiz Fachim

Painel do grau de mestre maçom

O Ritual do Rito Escocês Antigo e Aceito, do Grande Oriente do Brasil, acompanha as mesmas direções dos Painéis do Aprendiz e do Companheiro, na nave do templo, relativamente ao seu traçado.

                Já o Ritual do Rito Adonhiramita, da mesma Potência Maçônica, apresenta o Painel de Mestre em direções idênticas que apontam para norte, sul, leste ou oeste. Portanto, neste, o Painel de Aprendiz e o Painel de Companheiro têm a parte mais elevada para o leste, o Painel de Mestre fica ao contrário.

                Feitas as devidas observações sobre as suas direções relativamente à da rosa dos ventos, enuncia-se que o Painel da Loja de Mestre, colocado no porta painel e este sobre um mosaico de losangos, compreende:

                No Rito Escocês Antigo e Aceito, um ataúde coberto com uma tapeçaria negra com uma cruz latina, lágrimas de prata e seis crânios humanos com tíbias cruzadas. Além disso, são colocados em cima do ataúde: a letra G dentro de um triângulo à cabeceira; um compasso e um esquadro aos pés; e um ramo de acácia no meio.

                No Rito Adonhiramita, um ataúde mostrando um ramo de acácia em sua parte superior. Os utensílios do mestre – o lápis, o compasso, e o cordel. A lápide gravada com caracteres maçônicos. As tíbias dispostas em forma de cruz de Santo André, encimada pela caveira. O pórtico, com a abóbada, o dístico, as colunas, o pavimento. As ferramentas, com o prumo, o nível e o malho.  

Trechos do capítulo III – Item O Painel do Grau de Mestre Maçom, do Livro Virtude e Verdade – Graus Simbólicos, do autor Luiz Fachim

Painel da loja de companheiro

O painel da Loja de Companheiro é, no seu conjunto, muito semelhante ao painel da Loja de Aprendiz. A diferença é a inclusão da Estrela rutilante ou Flamejante, com a Letra “G”; assim como a Alavanca, a Régua, a Espada e a Trolha. O número de degraus passa a ser cinco (que se atribui aos cinco estágios da inteligência, representados pela Coluna Dórica, Coluna Jônica, Coluna Coríntia, Compósita e Toscana; os cinco sentidos: tato, olfato, gosto, visão e audição; e as cinco viagens com o manejo das ferramentas adequadas, as quais representam o progresso rumo ao aperfeiçoamento).

                Entre os elementos da simbologia aplicada ao Grau de Companheiro, há a Estrela Flamejante, de cinco pontas, o Pentalfa. A Estrela Flamejante, por ser um foco ardente, e fonte de Luz e Calor, bem como pelo seu significado filosófico, no próprio Grau de Companheiro, tem conotação mais voltada para o discernimento e uma inteligência verdadeiramente esclarecida e aberta a todas as conquistas do conhecimento e compreensões.

                A Alavanca tem valor pelo seu sistema. Na edificação, sua utilidade está na remoção de pedras para prepara-las como alicerces. É importante lembrar que, na Maçonaria, a Alavanca é um instrumento usado nas provas e está sempre acompanhado da Régua, justamente porque a força deve ser prudentemente medida.

                A Régua utilizada pelos operativos para medir e delinear os trabalhos, como para traçar linhas retas, de modo variado, pela Maçonaria Especulativa foi dividida em 24 polegadas. Trate-se, pois, a régua o símbolo da razão e do caráter cognitivo da mente humana.

                A Espada é a arma branca, formada de uma lâmina comprida e pontiaguda, podendo ser de um ou de dois gumes. Cuida-se de instrumento que indica o símbolo do poder, em especial no meio militar. Em Maçonaria, a Espada tem grande simbologia. E, de regra, é o objeto usado no cerimonial como símbolo de poder e autoridade, motivo pelo qual é o emblema dissipador das trevas e da ignorância.

                A trolha é uma espécie de pá achatada usada pelo pedreiro para aplicar a argamassa, como instrumento simbólico destina-se a realizar a unidade. É o emblema característico do amor fraternal que deve unir todos os Maçons.

Trechos do capítulo II – Item Painel da Loja de Companheiro, do Livro Virtude e Verdade – Graus Simbólicos, do autor Luiz Fachim

A Alavanca

A alavanca é um símbolo que expressa a força; basta-lhe um ponto de apoio para erguer um peso enorme sob a simples pressão muscular de um braço.

Arquimedes dizia: “Dai-me um ponto de apoio que erguerei o mundo”, manifestação filosófica no sentido de valorizar o ponto de apoio.

Em nossa vida quando deparamo-nos com algum obstáculo a ser removido e que expressa um esforço impossível, devemos evocar a alavanca e buscar esse ponto de apoio.

Às vezes, a solução está perto de nós e não a visualizamos porque nossa atenção está voltada para o grande obstáculo.

A lição da alavanca é que não há peso que não possa ser removido e, assim, os entraves serão removidos, embora lentamente, pois a alavanca apenas suspende e, desequilibrando o peso, faz com que este se mova.

Existindo o problema, ao lado estará a solução; basta encontrá-la, o que não é tarefa ingente.

O ponto de apoio é que suporta todo o peso do obstáculo e, assim, revela-se a parte mais importante. Em uma fraternidade, cada Irmão constitui um ponto de apoio; devemos aprender a usar esse poder que só a Maçonaria propicia.

Trechos do Livro Breviário Maçônico, do autor Rizzardo da Camino

O que simbolizam as luvas brancas

Ao revestir as mãos com as luvas, o Obreiro demonstra já conseguir perceber a igualdade genuína, que implica o nivelamento completo, porque a maneira peculiar de agir está na mesma condição para todos os Maçons e, assim, as mãos calejadas do operário tornam-se tão suaves quanto as mãos do intelectual, do advogado, do médico, do engenheiro. Tal como estes, igualam-se pelo uso uniforme das outras peças do vestuário.

                Pelo princípio analógico, o uso do Luvas Brancas está contido nas palavras proferidas previamente ao ingresso no Templo, para que os Obreiros iniciem os trabalhos.

                Esta proposição lembra o ato praticado pelos Mestres Eleitos na lenda da construção do Templo de Salomão, quando eles calçaram luvas de peles brancas, para demonstrar que suas mãos estavam limpas e puras, ou que eram inocentes do fato punível, narrado na mesma lenda. A simbologia das luvas também é apresentada na Cerimônia de Iniciação, quando é feita a entrega das luvas brancas ao Neófito.

                Portanto, as luvas simbolizam a pureza e a candura, virtudes que envolvem o caráter do Maçom. Por isso que este deve carregar consigo sempre a pureza de pensamento e na intenção, nas palavras e na atuação em todas as causas. Pela mão direita se dá com finura a mesma inocência de sentimento.

Trechos do capítulo I – Item O que simbolizam as luvas brancas, do Livro Virtude e Verdade – Graus Simbólicos, do autor Luiz Fachim

Os Bastões

O surgimento dos bastões na Maçonaria, usados pelo Mestre de Cerimônias e pelos Diáconos ocorreu na Maçonaria Inglesa, do tempo da cavalaria e das pompas dos reis, significando comando.

Na loja de Aprendizes, o Mestre de Cerimônias e os Diáconos transitam pela Loja, sempre portando seus bastões.

Os bastões usados pelos Diáconos são encimados por uma ponteira de pomba, símbolo do mensageiro; ao formarem o baldaquim, sob o qual o Venerável de Honra ou o Orador abre o Livro Sagrado, os Diáconos e o Mestre de Cerimônias cruzam seus bastões.

A sua origem procede da férula, que na mitologia grega significa o bastão oco em que prometeu escondeu o fogo furtado dos deuses, quando passeava pelos céus no carro do sol.

Aumento de Salário

Diz-se aumento de salário à passagem de um grau para outro, tanto no simbolismo quanto nos corpos filosóficos.

Contudo, possui outras interpretações como o aumento de premiação espiritual pela assiduidade às sessões da Loja.

O perfeccionismo maçônico decorre desse aumento, que pode ser designado como acréscimo e conhecimento.

O aumento de salário decorre da passagem de grau a grau, após um determinado período de frequência e exames que, no passado, para aprendizes, era de três anos e para os companheiros de sete. Atualmente esse período ficou restrito a um ano, de modo que um maçom diligente em dois anos alcança o mestrado.

O maçom não deve se preocupar com o recebimento do salário, mas sim com fazer jus a esse recebimento.

Mais importante é conhecer o grau em uma amplitude maior que trocar de avental ou de coluna.

A assiduidade é a parte principal para o acréscimo de salário; a diligência no preparo das peças de arquitetura e o cultivo do amor fraternal são complementos indispensáveis.

O maçom deve ser ativo, pertinaz e aplicado.

Assim, galgará as posições hierárquicas aspiradas.

Trechos do Livro Breviário Maçônico, do autor Rizzardo da Camino