A Espada

A espada é um instrumento usado pelos maçons; embora com aspecto de arma, o principal meio de defesa dos antigos cavaleiros, quando ainda eram desconhecidas as de fogo; não se poderia conceber a existência de armas dentro de um templo.

A origem da espada como instrumento maçônico nos vem da construção do segundo templo por Zorobabel, sob a proteção do rei Ciro da Pérsia.

O apóstolo Paulo deu outra função à espada, dizendo que a língua é uma espada de dois gumes, pois tanto pode ferir a si mesmo como a outrem.

A justiça é representada por uma espada, todos sabemos que a justiça é um poder desarmado.

A espada simboliza a consciência, quem a maneja deve estar alerta para não agredir nem ferir.

Há no Rito Escocês Antigo e Aceito um determinado grau em que o maçom, portador de uma espada, a desembainha e antes de segurá-la em riste, beija sua lâmina, em uma demonstração de que está empunhando um instrumento de paz e não de agressão.

O maçom deve zelar e controlar a sua palavra para que não se converta em uma espada de dois gumes.

O equilíbrio e a prudência devem guiar aquele que maneja a espada.

Trechos do Livro Breviário Maçônico, do autor Rizzardo da Camino

Os Painéis da Loja

Por painel entende-se o quadro que a Loja apresenta por ocasião da abertura dos seus trabalhos. Três, portanto, são os Painéis Simbólicos, embora nos demais Graus Filosóficos também existam, mas com a denominação de Emblemas ou Escudos. O Painel também possui a sua história, pois se origina da antiga Prancheta na qual Hiram Abiff desenhava os seus projetos, estudando-os e dando-os as medidas adequadas. Simboliza que nenhum trabalho deve ser encetado sem antes ser planejado.

Foi em 1820 que o pintor John Harris, eminente maçom, desenhou os painéis que se encontram em uso em nossas Lojas. Os Painéis não obedecem a nenhuma regulamentação e os Rituais do Rito Escocês Antigo e Aceito nada dizem a respeito; no entanto, trata-se de uma tradição que vem sendo observada há um século e meio.

O Painel da Loja de Aprendiz deve ser estudado em seu todo, ele representa a Loja em sua integridade e inclui o assoalho, as paredes e o teto. Reproduz o Pavimento de Mosaicos, pois como moldura vem colocada a Orla Dentada, com os pontos cardeais e as borlas. Na parte central do Painel está reproduzido o assoalho em quadrilátero em branco e preto cuja finalidade é demonstrar que sobre esse assoalho é que são colocadas as Colunas, os Utensílios e o Altar. Três são as Colunas, das ordens Dórica, Jônica e Coríntia e entre elas que estão desenhadas e dispostas em forma triangular aparece na parte central o Altar. No piso estão colocadas as pedras, a espada, o nível, o prumo, a régua e a trolha. Sobre o Altar fica o Livro Sagrado aberto, e no centro, o esquadro e compasso na colocação do Grau. Sobre o Altar há a Escada de Jacó que se eleva até um círculo e dentro dele há uma estrela de sete pontas cujos raios atingem as nuvens limitando-se com os raios do Sol que fica à esquerda. Já na parte superior oposta, mas sempre ao Leste, a Lua na sua fase de plenilúnio, circundada por sete estrelas.

O Painel da Loja de Companheiro apresenta-se mais complexo, sem moldura ao redor, portanto sem a Orla Dentada, a Cora de 81 nós ou a Cadeia de União. O Painel tem inspiração egípcia, reproduz o Átrio do Templo e é feito em forma sinuosa com 15 degraus até atingir a entrada do Templo. Os três primeiros degraus significam o trabalho do aprendizado. Vencidos esses três degraus, encontramos um pequeno patamar; é o momento de descanso para meditação, para que o Aprendiz possa digerir tudo o que acumulou e preparar-se para outros alimentos mais sólidos. Os cinco sucessivos degraus representam os cinco sentidos, assim, o Companheiro estaciona em cada degrau, que constitui um estágio em seu aprendizado, para poder progredir. Os sete próximos degraus são reservados as Ciências e as Artes: Gramática, Retórica, Lógica, Aritmética, Geometria, Música e Astronomia. A escadaria apresenta apenas parte do corrimão, e vem colocada à esquerda, abrangendo os cinco degraus dos sentidos e é constituída por um balaústre formado por colunetas que reproduzem as cinco ordens: Toscana, Dórica, Jônica, Coríntia e Compósita. Como detalhe, a Estrela Flamígera vem colocada também no Átrio.

O Painel da Loja de Mestre contém na parte central apenas um caixão mortuário. Obedece a uma orientação cardeal ao contrário do Painel de Aprendiz, pois o Nascente fica aos pés do caixão. Ao redor do caixão, apenas na parte superior é colocado um ramo de Acácia. Na tampa do caixão, veem-se símbolos mortuários, como o crânio com as tíbias cruzadas, e no centro o Átrio com a sua coluneta, como vem descrito nas Sagradas Escrituras. Na parte inferior, utensílios entrelaçados: o malho, o nível e o prumo; abaixo, o esquadro. Disseminados, caracteres hebraicos reproduzidos a Palavra Sagrada e a de Passe. A morte, para o Maçom, apenas atinge a matéria, pois não a aceita como o fim, mas como um princípio.

Trechos do capítulo “Os Painéis da Loja” do Livro Vade-Mécum do Simbolismo Maçônico dos autores: Rizzardo da Camino e Odéci Schilling da Camino.

O Simbolismo do Candelabro de Três Luzes

O Candelabro de Três Luzes, no altar do Venerável Mestre é um dos mais preciosos talismãs de que pode desfrutar o Maçom. Tal consideração e prerrogativa é porque exprime o ideal para que o qual tendem todas as aspirações humanas que consistem no justo, no belo e no verdadeiro.

Por meio do simbolismo dos números na Maçonaria, pode-se verificar o quão é agradável ao intelecto o conteúdo da representação alegórica do Candelabro de Três Luzes, porque constitui a sucessão de facetas e emblemas literários da Maçonaria.

Ainda que nele ocorra o acendimento de apenas uma vela, razão pela qual sob aspecto externo essa unidade não deve figurar como sinal distintivo, mas somente em conceito abstrato, o Candelabro de Três Luzes aclara o sentido de que se manifesta pelo Ternário e que se acha no íntimo de cada Maçom.

Dessa maneira, o Candelabro de Três Luzes, no altar do Venerável, simboliza o Livro da Lei, o Esquadro e o Compasso, que compõem as três grandes luzes emblemáticas da Maçonaria. Em outras palavras, o código moral que compreende o Verbo e a Lei de Deus, a retidão e a consciência ou a justiça, respectivamente. Os dois últimos, portanto, um sobre o outro, representam a medida justa.

Trechos do capítulo I – Item O Simbolismo do Candelabro de três luzes no altar do Venerável Mestre, do Livro Virtude e Verdade – Graus Simbólicos, do autor Luiz Fachim