As Jóias da Loja Maçônica

De modo geral, todos os objetos que constituem as insígnias e distintivos são Joias da Loja. O exemplo está quando da cerimônia de investidura dos oficiais eleitos e nomeados, que, ao serem empossados, são revestidos com a joia do próprio cargo.

As joias móveis da Loja, em seus caráter estrito, são pequenos adornos de metal destinados para uso do Maçom sob a compreensão de valores figurados, pelos quais se distingue o grau ou o cargo por eles exercido. São denominadas joias móveis porque devem ser transferidas, periodicamente, aos novos Veneráveis e Vigilantes, com a passagem da administração, que são: o esquadro, o nível e o prumo.

Como a joia do Venerável Mestre, o esquadro tem o sentido de que a vontade do presidente da Loja é subordinada às leis e aos regulamentos da Ordem e que pode, somente, agir com inteireza de caráter moral. Ao mesmo tempo, ele é o símbolo da retidão, equidade e justiça; é a joia do cargo que representa a fraternidade.

O nível é o símbolo da igualdade genuína, base do direito natural, sem implicar o nivelamento dos padrões sociais aceitos. Lembra o dever de considerar as coisas com igual serenidade, representando o equilíbrio entre os extremos, e, dessa maneira, denota que se relaciona intimamente com o plano deste mundo, suscetível ao interesse direto do ser humano. Assim, partindo de bases estáveis e de princípios bem definidos, o Maçom deve trabalhar objetivando sua ascensão espiritual.

Sendo a joia do 1º Vigilante, é atribuída a ele a responsabilidade pela conservação da perfeita igualdade que deve preponderar na Loja, através dos serenos princípios da equidade e da justiça, lembrando a todos que são filhos da mesma natureza, dignos de igual respeito e que ninguém é mais que ninguém nem deve dominar ou outros.

O prumo é a joia confiada ao 2º Vigilante. Tradicionalmente designado de perpendicular, dá a ideia da busca minuciosa para averiguação da verdade, tanto que é considerada como o sinal distintivo do conhecimento e da retidão, que deve se notabilizar na conduta e em todos os juízos do Maçom, o que determina um modo de viver pleno de elegância, de estilo e de beleza.

É o instrumento que induz o Maçom a descer para subir. O espírito deve ser elevado com a finalidade da introspecção, a qual permite descobrir os próprios vícios e defeitos que degradam o homem e o tornam escravo dos seus desejos. É preciso que o Maçom pratique o exercício de descer para subir a fim de que no curso dos dias possa atingir a parte mais difícil de sua intimidade. 

Trechos do capítulo I – Item Joias da Loja, do Livro Virtude e Verdade – Graus Simbólicos, do autor Luiz Fachim

As Colunas do Templo Maçônico

Dentro de nossos Templos Maçônicos encontramos, na entrada, as duas Colunas “B” e “J”; de cada lado, seis Colunas, e sobre os Tronos, três Colunas, essas menores, que denominamos Colunetas. (…)

Coluna é uma palavra que se origina do latim e significa sustentáculo vertical. (…) Dentro do Templo temos, ainda, outras Colunas que não obedecem a nenhuma ordem arquitetônica, mas que expressam uma presença real: as Colunas do Sul e do Norte, formada pelos Aprendizes E pelos Companheiros; a Coluna da Harmonia, representada pela música que se executa; e a Coluna da Eloquência, que é a palavra do Orador, ou Guarda da Lei.

Finalmente, temos a constante presença das três Colunas mentais: Sabedoria, Força e Beleza. Portanto, há dentro dos Templos, de qualquer forma, a presença de Colunas que não são construídas de mármore ou bronze, mas que vibram, são quentes e espirituais.

As históricas Colunas bíblicas, sem dúvida, foram as de fogo à noite e as de fumaça negra de dia, que Jeová colocava adiante de seu povo para guiá-lo pelo deserto, por ocasião da fuga do Egito. Essas Colunas foram consagradas no Grande Templo de Salomão, colocando-as no pórtico do Templo, ricamente ornamentadas com o nome de “B” e “J”, que serviram, durante a construção, para guardar o sistema de pagamento dos artesãos e, posteriormente, dos registros para o povo hebreu. (…)

Cada membro de uma Loja é uma Coluna de seu Templo, como é por si mesmo uma Coluna espiritual. Portanto, Coluna é sinônimo de divindade; é o sustentáculo de toda obra e o prêmio de toda ação.

Temos ainda a destacar a Coluna Gravada, que é a denominação de uma proposta depositada no Saco de Propostas e Informações. Por fim, temos a Coluna Quebrada. Ela repousa em um canto, esquecida, e só se faz presente por ocasião de uma “Pompa Fúnebre”. Simboliza o Irmão que morreu. Convencionou-se representar o Irmão morto por uma Coluna quebrada, assim, não se coloca durante a cerimônia fúnebre um retrato ou qualquer outro elemento que possa servir como representação.

Um homem pode tornar-se Coluna Quebrada, sem morrer, quando ele abandona a trajetória iniciática e comporta-se como um insensato, quando dá as costas ao que anteriormente jurava serem os seus básicos princípios.

Ao contemplarmos as Colunas do Templo Maçônico com os significados que cada um possa atingir, não nos esqueçamos de que essas Colunas surgem como um espelho; somos nós a nos ver, embora em “enigma”, sem compreensão completa.

Busque o maçom conhecer o significado das Colunas, para cientificar-se de que ele é o sustentáculo de alguma coisa, nem que seja o sustentáculo de seu próprio Irmão!

Trechos do capítulo “As Colunas do Templo Maçônico” do Livro Vade-Mécum do Simbolismo Maçônico dos autores: Rizzardo da Camino e Odéci Schilling da Camino

As Borlas

A origem das borlas é desconhecida, porém revela o poder. Inicialmente eram usadas em cordões atados à cintura ou em chapéus e temos como o ponto de partida o “fez” barrete usado na Turquia antiga para distinguir o vulgo dos poderosos.

Mussolini, na era fascista, usava um “fez” de cor negra, de cuja calota pendia um cordão que terminava em borla, o “fiocco”, como demonstrador de poder, liberdade e união. Vemos borlas em vários escudos de cidades europeias e nas armas dos cléricos, especialmente dos cardeais e dos papas. Os cortinados nas casas ricas ou nos palácios têm os seus cordões terminando em borlas de todo tipo, simplesmente como adorno e demonstração de poderio econômico.

Dentro dos Templos Maçônicos encontramos três espécies de borlas: as duas terminais da Corda de 81 nós ao lado da porta de entrada, as quatro borlas nos quatro cantos do tapete de Mosaicos e as quatro borlas no Painel do Aprendiz.

A borla consiste em um botão recoberto de fios, formando uma franja; o botão concentra as forças e os fios as descarregam, pois uma borla sempre terá os fios pendentes para baixo, em direção à Terra.

A borla passou a ser usada nas Universidades para ornar tanto o “capello” como as faixas, simbolizando a libertação da ignorância e o poder emanado do diploma.

As borlas simbolizam os quatro elementos: Terra, Ar, Água e Fogo. É de se recomendar que nos estandartes também sejam usadas borlas, mas que, ao serem confeccionadas, a sua colocação obedeça a uma significação simbólica; ou apenas duas borlas ou quatro, não mais.

Trechos do capítulo “As Borlas” do Livro Vade-Mécum do Simbolismo Maçônico dos autores: Rizzardo da Camino e Odéci Schilling da Camino.

A Espada Flamejante

A Espada Flamejante é assim denominada por apresentar a lâmina ondulante, imagem das labaredas de fogo. Representa a autoridade moral. É usada pelo Venerável Mestre como símbolo do poder criador do G.A.D.U. Tem justamente o sentido de transmissão desse mistério do poder divino necessário para a formação de um aprendiz. Ela retrata o Poder temporal, a Luz, a irradiação do saber e do compromisso das ações justas e dos nobres sentimentos.

Sua origem é do seguinte versículo bíblico:

E havendo lançado fora o homem, pôs ao oriente do jardim do Éden os querubins, e uma espada flamejante que se volvia por todos os lados, para guardar o caminho da árvore da vida.

Gênesis 3:24

Interessante é considerar que a Espada Flamejante só pode ser tocada por um Mestre Instalado porque ele pode compreender que não é uma arma ofensiva, mas um instrumento de transmissão do vigor divino, que se materializa com o efeito dos eflúvios emanados da própria Espada. A geração dessas influências poderosas ocorre com os golpes do pequeno malho desferidos sobre a lâmina dela, oportunidade em que emitem uma vibração sonora que penetra no corpo do recipiendário, aparentemente renascido, impregnando-se nele para sempre.

A Espada Flamejante simboliza, também, o domínio da natureza e do poder da vontade, e de igual modo a justiça, que deve punir todos aqueles que se afastam do caminho do bem. Mostra, também, com sua forma estilizada de um raio, que a Justiça deve ser pronta e rápida como essa descarga elétrica.

Lembra, portanto, que a insubordinação, o vício e o crime devem ser repelidos da esfera que compreende a Maçonaria.